terça-feira, 30 de agosto de 2011

PRESIDENTE DA COMISSÃO DE SAÚDE DA CMNF SE NEGA A OUVIR PRESIDENTE DA FUNDAÇÃO MUNICIPAL DE SAÚDE

Jamila Calil fala sobre os gastos da FMS no gabinete da presidência da CMNF
Jamila Calil foi voluntariamente ao Legislativo prestar esclarecimentos aos
vereadores mas Renato Abi-Râmia reitera que só aceita ouvi-la no plenário


O presidente da Comissão de Saúde da Câmara, o médico e vereador Renato Abi-Râmia (PMDB-RJ), conforme já havia dito anteriormente, não compareceu quinta-feira, 25 de agosto, à tarde a uma reunião no gabinete da presidência do Legislativo friburguense, onde a Secretária Municipal de Saúde, Jamila Calil (PPS-RJ), compareceu voluntariamente para fazer uma prestação de contas dos recursos federais e estaduais repassados à Fundação Municipal de Saúde (FMS) para socorrer o município após a tragédia climática. Adversário pessoal da secretária, Renato Abi-Rãmia limitou-se a encaminhar uma carta ao presidente do Legislativo, Sérgio Xavier (PP-RJ), argumentando que o local da reunião era impróprio e que só aceitaria participar do referido encontro se o mesmo fosse marcado para o plenário da CMNF.
Os outros dois membros da Comissão de Saúde da CMNF, Reinaldo Rodrigues (PPS-RJ) e Manoel Martins (PSB-RJ), lamentaram a ausência de Renato Abi-Râmia e compareceram normalmente à prestação de contas, assim como o presidente da CMNF, Sérgio Xavier. O depoimento espontâneo de Jamila Calil também foi acompanhado na íntegra pelos vereadores Jorge Carvalho (PMDB-RJ), líder do governo na CMNF e Nami Nassif (sem partido).
O depoimento de Jamila teve desdobramentos na sessão ordinária, quinta-feira à noite. Durante a hora livre, no final da sessão plenária, Renato Abi-Rãmia reiterou os motivos de sua ausência na reunião de horas antes, acrescentando que “o prefeito Dermeval Barbosa Moreira Neto tinha que fazer na Secretaria de Saúde o mesmo que a presidente Dilma estava fazendo nos ministérios em Brasília, ou seja, uma faxina”, disse, atacando novamente a adversária. O comentário foi rechaçado pelo vereador Jorge de Carvalho, líder do governo que, também em tom duro, disse que “Renato está misturando suas desavenças pessoais com os seus compromissos como agente público. O vereador Renato Abi-Râmia está claramente fazendo um juízo de direito. Ele não tem mais condições de continuar atuando na CPI da Tragédia. Como é que ele vai continuar participando das investigações já tendo uma posição pública? Ele sequer ouviu as argumentações da secretária”, disse ele, defendendo também que o vereador seja afastado da Comissão de Saúde do Legislativo.
Na prestação de contas voluntária na Comissão de Saúde da CMNF, Jamila Calil disse que a Fundação Municipal de Saúde recebeu cerca de R$ 11, 1 milhões em repasses para ações emergenciais após a tragédia climática de 12 de janeiro e que, deste montante, foram utilizados até agora cerca de R$ 3,5 milhões em ações emergenciais, sendo que o restante, aproximadamente R$ 7,6 milhões ainda estão depositados na conta da FMS para utilização em compra de equipamentos, veículos e obras em unidades da rede pública, “todas licitadas”, destacou.
Ela também disse que, no relatório da Controladoria Geral da União, há duas situações relativas à Secretaria de Saúde. Uma sobre o Posto de Saúde de Riograndina e outra sobre o Posto Sylvio Henrique Braune. Na primeira, disse ela, a reconstrução da unidade de Riograndina já tem recursos liberados pelo Ministério da Saúde para a Secretaria Estadual de Saúde para obras de construção de um novo posto. Com relação ao segundo apontamento, Jamila disse que a resposta à indagação ao CGU já foi esclarecida. Segundo ela, a unidade de distribuição de remédios à população que funcionava no Sylvio Henrique Braune foi destruída na tragédia climática e transferida para o Posto da Rua Augusto Cardoso, no centro da cidade, o que teria causado o questionamento, ainda de acordo com ela, já devidamente explicado ao órgão fiscalizador.

- Com AVS

segunda-feira, 29 de agosto de 2011

JOSÉ DIRCEU COMPARA A REVISTA VEJA AO TABLÓIDE NEWS OF THE WORLD DIÁRIO INGLÊS FECHADO POR PRATICAR ESCUTAS ILEGAIS

José Dirceu

Capa de uma revista semanal de grande circulação no país, neste fim de semana, o ex-ministro José Dirceu do governo Lula deverá ingressar com uma ação judicial contra a editora da publicação, ligada a grupos de ultradireita no Brasil e no exterior, por crime contra os direitos individuais do cidadão. José Dirceu afirmou:
- “Depois de abandonar todos os critérios jornalísticos, a revista Veja, por meio de um de seus repórteres, também abriu mão da legalidade.”.
– “Houve a prática de um crime, no momento em que o repórter Gustavo Nogueira Ribeiro tentou invadir o apartamento no qual costumeiramente me hospedo em um hotel de Brasília.”, afirmou.
Segundo o ministro, a publicação iniciou um “verdadeiro ardil” na quarta-feira, quando o jornalista Gustavo Ribeiro se registrou na suíte 1607 do Hotel Nahoum, ao lado do quarto em que normalmente se hospeda.
– “Uma vez alojado no hotel, sentiu-se à vontade para planejar seu próximo passo. Aproximou-se de uma camareira e, alegando estar hospedado no meu apartamento, simulou que havia perdido as chaves e pediu que a funcionária abrisse a porta. O repórter não contava, porém, com a presteza da camareira, que não só resistiu às pressões como, imediatamente, informou à direção do hotel sobre a tentativa de invasão. Desmascarado, o infrator saiu às pressas do estabelecimento, sem fazer check out e dando calote na diária devida, ainda por cima.
- “O hotel registrou a tentativa de violação de domicílio em boletim de ocorrência no 5º Distrito Policial.”, disse.

Nova tentativa

Ainda na tentativa de seguir os passos do ex-ministro-chefe da Casa Civil, no governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o repórter se fez passar por assessor da Prefeitura Municipal de Varginha junto à administração do hotel, e insistia em deixar no quarto “documentos relevantes”, relata Dirceu.
– “Disse que se chamava Roberto, mas utilizou o mesmo número de celular que constava da ficha de entrada que preencheu com seu verdadeiro nome. O golpe não funcionou porque minha assessoria estranhou o contato e não recebeu os tais “documentos.”, acrescentou.
De acordo com o ex-ministro, “os procedimentos de Veja se assemelham ao escândalo recentemente denunciado na Inglaterra, do tablóide News of the World“.
– “O diário inglês tinha como prática para apuração de notícias fazer escutas telefônicas ilegais. O jornal acabou fechado, seus proprietários respondem a processo, jornalistas foram demitidos e presos.”, lembrou.
O ex-deputado petista e líder guerrilheiro contra a ditadura militar, durante os Anos de Chumbo, viu-se novamente diante da prática utilizada por agentes da repressão enquanto um outro repórter da mesma revista, Daniel Pereira, buscava invadir sua privacidade, já no dia seguinte, após a publicação obter, de maneira a ser explicada no curso do processo-crime, as imagens de personalidades do mundo político e empresarial recebidos por ele, em trânsito pelo hotel.
– “No meio da tarde da quinta-feira, depois de toda a movimentação criminosa do repórter Ribeiro para invadir meu apartamento, foi a vez de outro repórter da revista entrar em contato com minha assessoria, com o argumento de estar apurando informações para uma reportagem sobre minhas atividades em Brasília.”, pontuou.

Invasão de privacidade

- “O jornalista Daniel Pereira se achou no direito de invadir minha privacidade e meu direito de encontrar com quem quiser e, com a pauta pronta e manipulada, encaminhou perguntas por e-mail já em forma de respostas para praticar, mais uma vez, o antijornalismo e criar um factóide”, escreveu nesta sexta-feira, em seu blog, o ex-ministro.
As perguntas enviadas pela revista foram:
“1 – Quando está em Brasília, o ex-ministro José Dirceu recebe agentes públicos – ministros, parlamentares, dirigentes de estatais – num hotel. Sobre o que conversam? Demandas empresariais? Votações no Congresso? Articulações políticas?
“2 – Geralmente, de quem parte o convite para o encontro – do ex-ministro ou dos interlocutores?
“3 – Com quais ministros do governo Dilma o ex-ministro José Dirceu conversou de forma reservada no hotel? Qual o assunto da conversa?”

Farsa

Diante da movimentação constatada ao longo da semana, o ex-ministro soube também, por diversas fontes, “que outras pessoas ligadas ao PT e ao governo foram procuradas e questionadas sobre suas relações comigo. Está evidente a preparação de uma farsa, incluindo recurso à ilegalidade, para novo ataque da revista contra minha honra e meus direitos.”, disse.
– “Deixei o governo, não sou mais parlamentar. Sou cidadão brasileiro, militante político e dirigente partidário. Essas atribuições me concedem o dever e a legitimidade de receber companheiros e amigos, ocupem ou não cargos públicos, onde quer que seja, sem precisar dar satisfações à Veja acerca de minhas atividades. Essa revista notoriamente se transformou em um antro de práticas antidemocráticas, a serviço das forças conservadoras mais venais.”, concluiu.

- Com agencia de notícias